quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O desafio da Secult



Auto Filho não fez um mau governo. Repito: não fez. Nem ele, nem qualquer outro dos que o antecederam na Secult. Tivessem feito, teríamos vivido um colapso na cultura, já que, infelizmente, o fomento cultural do Ceará é quase que de exclusividade total do Estado. Ele fez exatamente o quis fazer, obviamente na relatividade das condições financeiras da pasta que administrou. Auto Filho fez escolhas, passíveis de questionamento, claro, mas deixa a secretaria sem direito algum de reclamar falta de apoio ou boicote. Sobretudo, dos artistas.

Apesar de o governador Cid Gomes ter concentrado a decisão sobre a liberação dos recursos e levado para a Casa Civil algumas deliberações antes de responsabilidade da Cultura, Auto Filho comandou uma Secult com orçamento recorde, como ele próprio fez e faz questão de alardear. Então, tudo foi flores? Não. Se dinheiro não faltou – porque sobrar, nunca sobra -, faltou criatividade na criação e desenvolvimento de novos projetos e interesse em apostar na continuidade daquilo que a pasta vinha tocando a contento. Com Auto Filho, mais uma vez, a Secretaria da Cultura optou por começar tudo do zero.

Eis aí o desafio-mor que cruza o caminho do futuro titular da secretaria. Antes de formular novas ações, é fundamental que o Professor Pinheiro mapeie tudo aquilo que existe atualmente e, também, aquilo que de interessante foi interrompido seja lá por quê. Chega de tanta novidade, o que o Ceará e sua cultura precisam é de continuidade e aperfeiçoamento de programas. Para tanto, é essencial uma gestão mais coletiva e de ego menos aflorado. Como tem um quadro precário de funcionários de carreira, a vida da Secult depende da capacidade do seu titular para compor uma equipe.

Em alguns momentos, no entanto, Auto Filho pareceu trabalhar sozinho. Nos bastidores, figuras importantes do segundo escalão se digladiaram e trocaram farpas durante toda a administração. Com isso, perdemos todos. Foco de grandes esperanças, a gestão cultural do primeiro mandato do governador Cid Gomes não emplacou. Se comparada ao trabalho que ele mesmo fez na Prefeitura de Sobral, é nítido que é possível, sim, avançar. As urnas lhe deram uma nova chance. Quem sabe agora, ao lado do Professor Pinheiro, ele não consiga superar as expectativas e deixar na Cultura, de fato, sua assinatura?

Magela Lima / O Povo
Editor Executivo do Núcleo de Cultura e Entretenimento

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